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Mercado de revenda: O que você precisa saber

Mesmo antes da chegada da pandemia do COVID-19, já vínhamos falando sobre a necessidade de uma mudança na indústria da moda, visto que ela é a segunda mais poluente do mundo. Ao longo dos últimos anos, se tornou cada vez mais claro que sustentabilidade não é um conceito distante, uma tendência passageira ou um nicho de mercado, e sim um novo modelo de negócio que veio para ficar e para transformar o mercado.


Se antes essa transformação estava acontecendo de forma relativamente lenta, agora, muito devido às consequências causadas pelo coronavírus, existe uma busca acelerada por moda sustentável, tanto por parte do consumidor, quanto da própria indústria.


Além de práticas como a produção responsável e do uso de materiais sustentáveis, vemos também uma grande ascensão de um outro tipo de modelo de negócio sustentável: O mercado de revenda.


O mercado

Chamado em inglês de Second hand, Resale ou até Re-Commerce (esse, usado exclusivamente para a revenda feita virtualmente), esse modelo de negócio consiste na revenda de produtos já existentes - indo de um consumidor para o outro e, portanto, prolongando o ciclo de vida do produto e também postergando o impacto criado por fast fashion e produção desenfreadas de novos itens.


Especialmente apelativo para o consumidor jovem - não apenas devido ao seu fator sustentável, mas também aos preços reduzidos -, o mercado de revenda de moda foi avaliado em U$ 28 bilhões em 2019, e tem projeções de chegar em U$64bi até 2024 (ThreadUp). Isso significa que, até 2029, o mercado de second hand ultrapassará o de fast fashion, projetado para alcançar U$ 43 bilhões até então.



Recommerce

Com essa demanda de consumo crescente, o mercado já começou a reagir e, com isso, empresas focadas em atende-la nascem e crescem a cada dia. Plataformas como Enjoei, Depop e ThreadUp, já estabelecidos no mercado, nasceram como um facilitador entre pessoas que querem revender e aquelas que querem comprar - ou seja, se mantendo um negócio voltado para o consumidor final, e não para marcas - mas já cresceram e viram seu modelo de negócio progredir.


Atualmente a maior empresa de recommerce do mundo, a ThreadUp, também fundada em 2009 como um canal peer-to-peer, hoje oferece coleções próprias feitas com upcycling (a linha feita em parceria com a atriz Olivia Wilde trazia camisetas com frases pró-revenda, por exemplo), além de parcerias com celebridades, em que clientes podem comprar suas peças usadas e inúmeras outras marcas. Entre 2019 e 2020, a Thread Up se juntou a mais de 15 marcas e varejistas, como Macy’s, Reformation, Rebook, Banana Republic e GAP, entre outras.


Além do varejo

Além dos negócios apontados acima e dos clássicos brechós, varejistas e marcas próprias também já perceberam o tamanho da oportunidade do mercado de revenda e, assim, estão não apenas se juntando aos recommerces, mas também lançando seus próprios canais ou marcas de secondhand.


Tanto a COS quanto a Selfridgdes começaram a oferecer a seus consumidores a opção de revenderem ou comprarem peças antigas das marcas, por uma porcentagem de 10% (no caso da COS) das vendas. Já a Stussy, reconhecendo o desejo de seus consumidores por suas peças vintage ou de edição limitada abriu a Archive Store, um ponto físico na California onde seus clientes encontram tais peças, além de colaborações exclusivas.


Deadstock

É importante entender que esse modelo de negócio não engloba apenas a revenda de peças prontas (como em brechós, por exemplo), mas também a produção de novas peças a partir de outras já existentes, ou então de tecidos e materiais que estejam parados no estoque - ambos chamados de deadstock, ou “estoque morto”. Assim, se antigamente a queima de peças não vendidas (prática comum principalmente no mercado de luxo) era realidade, a quarentena teve um papel fundamental na popularização do comércio ou na transformação de deadstock, com marcas criando coleções inteiras a partir de tecidos já existentes, já que eram os únicos disponíveis no momento.

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